sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Fazenda Estância da Figueira - Camaquã

 


A conhecida Revolução Farroupilha ( 1835 - 1845) foi um movimento libertário, que buscava mais justiça para o Rio Grande do Sul, e depois então se tornou também movimento separatista, ao longo destes quase dez anos de peleia, mortes e sacrifícios foi erguendo- se locais que podiam ser nada de mais para a época, mas hoje são história, e monumentos que  nos permitem imaginar e saber  pouco mais sobre o nosso passado!

Um destes locais é a Estância da Figueira localizada em Camaquã, que foi quartel- general dos farrapos!


A antiga Estância foi inaugurada. 1795! Pelo charqueador Boaventura José Caetano marido de Antônia Gonçalves da Silva, ele era o mesmo proprietário da Estância da Barra!

 

Foi neste lugar construído a sangue e suor com trabalho escravo que a viúva de Bento Gonçalves, Caetana Garcia Gonçalves da Silva viveu com sua filha Maria Angélica, e genro Antônio José Caetano até falecer em 1872!

 

Acredita- se que recebeu este nome pelas grandes figueiras existentes ao redor da Fazenda!

Uma curiosidade é que a Estância da Figueira foi até mesmo cenário de novela!


A novela Laços de Família do ano de 2000 realizou gravações lá,!

 

Uma das sesmarias que originou Camaquã, era propriedade de Joaquim Gonçalves da Silva, pai de Bento Gonçalves, ele pediu a criação de Capela Curada de São João Batista originando a cidade, depois de algum tempo começou seu povoamento com açorianos e português, logo após por alemães, franceses, espanhóis e poloneses!

As Charqueadas e a pecuária se desenvolveram bastante na região e  homens ricos como o pai de Bento que tinha sesmaria bem Triunfo trouxeram a prosperidade para a região que se comunicavam com o resto do país através do rio Camaquã!

Camaquã teve grande importância na Revolução Farroupilha, abrigou por um bom tempo os farrapos e foi uma Capital Farroupilha também!

Tendo a Estância da Figueira como quartel general os farroupilhas com a vantajosa elevação do terreno poderiam avistar um raio de 50Km e observar uma possível movimentação de tropas legalistas!

Hoje em dia Camaquã possui vários prédios históricos em que podemos fazer uma visita ao passado, infelizmente a Estância da Figueira não foi tombada pelo patrimônio Histórico.

O atual proprietário Sr. Jayme Monjardim diretor do Projac da Rede Globo de Televisão e filho da cantora Maysa, ele adora cavalos e tem um haras no local e lógico sem visitações para não atrapalhar seu descanso.

Assista uma entrevista com Jayme Monjardim falando sobre seus projetos e a vontade de morar em Camaquã.






Pesquisa de:

Antonia Valim – Prenda Mirim Farroupilha 







Aparício Silva Rillo – Biografia


Ser Missioneiro é uma Missão, Aparício Silva Rillo nos deixou um legado de arte, cultura e projetos que protegem nossas tradições. Um verdadeiro exemplo do Espírito Missioneiro. (Porto Alegre, 8 de agosto de 1931 - São Borja, 23 de junho de 1995)

Filho do engenheiro-agrônomo e zootecnista Marciano de Oliveíra Rillo e de Lélia Sílva Rillo - o pai natural de Uruguaiana e a mãe de Guaíba, nasceu a 8 de agosto de 1931, Em Porto Alegre. Apparicio completou seu curso primário com pouco mais de dez anos. Em Capela de Sant'Anna o poeta cumpriu o que chama sua "iniciação" em costumes campeiros. Além dos trabalhos agrícolas de rotina, havia um posto de remonta com um plantel de vacas mansas e dezenas de cavalos para o serviço.

Desse contato com os hábitos campeiros comuns aos homens que trabalhavam no Posto de Sementes, das conversas com os peões encarregados das tarefas diárias, nasceu-lhe o gosto, que já vinha de berço (o pai era filho de estancieiro), pelos costumes mais autênticos da vida rural gaúcha.

Porto Alegre e sua vida agitada se tornara pesada ao poeta. Noivo de Suzy Maciel de Araújo - com quem viria a casar-se em maio de 1954. Soube, então, de uma vaga como contabilista num distrito rural de São Borja, a seiscentos quilômetros de Porto Alegre. No caso, um grande empório comercial situado na vila Nhu-Porã (Campo Lindo, em guarani).

Chegando em Nhu Porã, conheceu Cláudio Oirandi Rodrigues, que foi seu grande amigo e uma fonte de inspiração.  Idealizou e auxiliou na construção da Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Fundou o CTG Sete Povos das Missões, hoje Valdemar Teixeira. Realizou grandes bailes que atraiam a comunidade de São Borja para a vila.

Durante seu período de residência na vila, foi um grande pesquisador da cultura e do folclore da região. Escreveu e encenou a peça “Domingo no Bolicho”, contando exclusivamente com atores locais, que foi apresentada no Cinema Municipal em São Borja.

O Movimento Tradicionalista, eclodido em 1947, estava em ponto de ebulição e Silva Rillo, que continuava publicando seus poemas - agora no gênero regionalista - na imprensa de Porto Alegre, se alteava, ao lado de Jayme Caetano Braun e Glaucus Saraiva, como uma das grandes vozes de exaltarão à tradição, que renascia como culto.

A partir da criação dos Angüeras inicia-se uma parceria com Zé Bicca em composições musicais. Também tendo como base os Angüeras, Apparício Silva Rillo idealizou o Museu Ergológico da Estância. Com o apoio do grupo e da administração municipal, Rillo, que em suas pesquisas já havia reunido uma grande quantidade de peças relacionadas às antigas estâncias, pode enriquecer esse acervo.

 

Sobre

Nesta época, foi um dos responsáveis pela criação do Brasão, Bandeira e Hino de São Borja. Organizou as atividades da comemoração do Tricentenário do município, que duraram cerca de 1 mês. Idealizou e organizou o Festival Clarim. Durante a sua passagem pela administração municipal, participou da reativação da Biblioteca Pública Municipal e do Carnaval de Rua de São Borja, na Praça XV, com concurso de fantasias e desfile. Pesquisou e fez reviver a procissão de São João Batista, festa profana de tradição familiar, entre outras obras em São Borja.

São conhecidas de sua autoria, 40 obras, entre elas poesias, prosa, peças de teatro, novelas, teses, monografias, antologias, além de folclore e história.  Escreveu diversas músicas em parceria com Luís Carlos Borges e Mario Barbará. Faleceu em 1995, deixando um incrível legado. Um dos mais importantes conhecedores do regionalismo no Estado.

 




Fique com uma linda poesia desse grande poeta


Pesquisa de:

 Fabiana Thomaz





 

Contos Gauchescos - Chasque do Imperador


Por: João Simões Lopes Neto

Quando Dom Pedro chegou no Rio Grande do Sul para a Guerra com o Paraguai quis que algum gaúcho fosse seu chasque, alguém de confiança que estivesse sempre com ele. O tenente da tropa de Blau Nunes chamou-o para ser o tal chasque. Blau então conta as coisas que passou com o Imperador. Dom Pedro II era muito carinhoso e querido pelo povo, sempre queria ajudar a todos e às vezes dava esmolas a quem não precisava, havia gostado muito do Rio Grande. Certa vez a caminho do Paraguai pararam num campestre e uma velha parou a tropa com uma trouxinha na mão perguntando quem era o Imperador. Deu a ele um pedaço de fiambre, D. Pedro quis dar-lhe uma nota e ela recusou, disse que seus filhos estavam na Guerra e que a única coisa que gostaria era de ver eles vencedores. Disse ao Caxias que seu falecido marido prometeu sempre estar com ele, pois uma vez ele o salvou de caramurus.

A velha desejou boa sorte e o imperador a abraçou:

-Como é agradável esta rudeza tão franca!- disse Nhã Tuca.

Pararam em outra cidade e o Imperador foi hospedado na casa de um gordo gauchão. Na hora do almoço só havia doces, no jantar, chá e doces. No outro dia de manhã o gordo foi perguntar ao hóspede se ele tava se sentindo bem, ao mesmo tempo estava levando chá e doces. O Imperador não pôde mais aguentar e disse ao gauchão:

- Meu amigo, os doces são magníficos... mas eu agradecia-lhe muito se me arranjasse antes um feijãozinho... uma lasca de carne...

O gaúcho largou uma risada:

- Pois Vossa Majestade come carne?! Disseram-me que as pessoas reais só se tratavam a bicos de rouxinóis e de doces e pasteizinhos!...(...) Vamos já a um churrasco...

 

PERSONAGENS PRINCIPAIS:  Blau Nunes, Dom Pedro II(imperador), Tenente, Caxias, Nhã Tuca e Gordo Gauchão.

 

Pesquisa de:

Fabiana Thomaz


 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Culinária - Sopa de Capelleti (parte I)


INGREDIENTES

1 kg de capeletti (carne ou frango)

2 dentes de alho bem amassados

1 colher de sopa de cebola bem ralada

1 colher de chá de orégano

azeite suficiente para encher bem o fundo da panela de pressão (dois dedos)

salsa a gosto

1 copinho de cogumelos (champignon de 150 a 200 g)

1 pitada pequena de cominho (para frango)

1 pitada de pimente do reino (para carne)

1 peito de frango pequeno cortado em cubos ou

1/2 kg de carne em cubinhos pequenos (não moída)

1 cubo de caldo de carne ou frango

 

 

MODO DE PREPARO

Reserve previamente 1 litro de água fervente.

Em uma panela de pressão, coloque bastante azeite enchendo bem o fundo da panela.

Coloque o alho e o orégano no azeite ainda frio.

Leve ao fogo.

Quando o alho ficar branco, coloque rapidamente a cebola bem ralada.

Mexa um pouco e coloque os cogumelos partidos ao meio.

Coloque a carne escolhida (ou frango), e frite superficialmete

Coloque a salsa, o sal e os temperos referentes ao tipo de carne escolhida.

Coloque meio litro de água já fervente.

Deixe cozinhar até um pouco antes da carne ficar macia (o tempo depende da carne escolhida).

Tire a panela da pressão antes da carne completar o cozimento.

Acrescente o capeletti.

Coloque o restante da água fervente.

Retorne para pressão por cerca de dez minutos.

Retire da pressão e verifique se a massa já esta cozida.

E está prontinho! Mas caso a massa não estiver cozida termine sem a pressão!

 

 Boa refeição!!



Pesquisa de:

Antonia Valim – Prenda Mirim Farroupilha

 

Poesia - Tropa de Sonhos


Autor:  Iberê Machado


Madrugadita, vou de-a-cusco e de-a-cavalo

Cortando campos nevoentos de umidade.

Tropeio sonhos bons e, ao léu, espanto os malos

Deste meu peito, parador de mil saudades.

 

E esta pontinha de bons sonhos que tropeio

Me impõe cuidados por valiosa, embora chica.

Sobrevivente, ela é o florão dos meus anseios

Na longa ronda por quem parte, de quem fica.

 

E, todavia, pode ser que, um dia desses,

Revele a vida um rincão pra que estes sonhos

Deixem de ser arteiros quais guris medonhos

E me permitam envelhecer dignamente.

 

Então é certo: -Vou soltar os meus cavalos!

Nas alpargatas buscarei o meu sossego.

Dos meus arreios prá cadeira num pelego

Para estes sonhos, um por um, eu ressonhá-los.

 


 

Poesia - Marca de Paz


Autor: Iberê Machado


Garoa guasqueada

Na tarde de agosto.

Os pingos no rosto,

Pé firme no estrivo.

No barro nativo,

O rastro pra trás

É marca de paz

Que anda pra frente

E invida o vivente

A não parar mais.

 

No tranco estradeiro

A boca vai solta.

A crina revolta.

O freio mascado.

Chapéu desabado

Corpeia a garoa.

O ritmo ecoa,

Parceiro dos ventos,

Marcando momentos

No chão encharcado.

 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Olmira Leal de Oliveira -- CABO TOCO.


“ Entrei de frente na história e, acredite quem quiser,

em vinte e três fui soldado sem deixar de ser mulher.”

 

Olmira Leal de Oliveira, nasceu em 18 de junho de 1902, natural da Costa do Camaquã em Caçapava do Sul, Filha de Francisco José de Oliveira e de Auta Coelho Leal de Oliveira. Olmira deixou a casa onde morava com sua mãe e irmã, pois seu pai já havia falecido, e apresentou-se como voluntária na brigada militar de Caçapava do Sul, com largos conhecimentos de plantas medicinais, aplicação de injeções e manuseio de armas de fogo, alistou-se como enfermeira para acompanhar as tropas do tenente coronel João Vargas de Souza, tornando -se a primeira mulher a integrar as tropas da Brigada Militar.

Aos 21 anos de idade foi recrutada para integrar as fileiras da Brigada Militar, como enfermeira e combatente, no primeiro Regimento de Cavalaria, hoje 1º Regimento da Polícia Montada , com sede em Santa Maria.

Graduada a cabo e devido a sua baixa estatura, atendia por “Cabo Toco.”

Primeira mulher a integrar as fileiras da corporação da Brigada Militar, em 1923. Participou dos movimentos revolucionários de 1923, 1924 e 1926.

Cabo Toco, empunhando seu fuzil, lutava lado a lado com a mesma valentia dos demais soldados. Passou por várias batalhas com destaque de bravura.

Deixou a corporação em 1932, mulher forte, guerreira, símbolo vivo da história do Rio Grande do Sul.

Morava em Cachoeira do Sul, onde casou-se em 1951, com Antônio Martins da Silva. E ficou viúva em 1954, não teve filhos. Trabalhava fazendo fretes em sua carroça.

Após a morte de seu marido, passou a viver de uma pequena pensão deixada por ele. Vivia em um barraco na periferia de Cachoeira do Sul. Andava pelas ruas com sua velha carroça, cansada e sem rumo, carregando consigo a história que o povo não conhecia. 

Mesmo sendo considerada uma heroína, Cabo Toco só ficou conhecida no ano de 1987. Isso porque, Nilo Bairros de Brum e Heleno Gimenez, compuseram uma canção, contando sua história. E venceram em 1987 a 5º Vigília do Canto Gaúcho de Cachoeira do Sul, na voz de Fátima Gimenez. 


Cabo Toco esteve presente na entrega da premiação da música, e viveu momentos de pura emoção ao ver sua vida contada em uma linda canção, apresentada para um grande público, que na sua maioria nem sequer sabia da sua existência. Pois o mundo a esqueceu, e o tempo vencia aquela, que se dizia combatente chimango.

“Me chamam de Cabo Toco sou guerreira sou valente.”

Só foi graduada ao posto de 2º sargento, pelo governo do estado, poucos anos antes de falecer. Depois que Fátima Gimenez venceu a 5º vigília do Canto Gaúcho.


Olmira Leal, “Cabo Toco”, faleceu em 21 de outubro de 1989, em Cachoeira do Sul, aos 87 anos, vítima de doença pulmonar, e está sepultada no cemitério municipal de Caçapava do Sul. 


Na sua terra natal foi homenageada com a denominação de uma rua, no bairro Mercedes.

Em 21 de abril de 2007, a Brigada Militar de Caçapava do Sul, também a homenageou com uma placa em seu túmulo com a frase:

 “Entrei de frente na história e, acredite quem quiser, em vinte e três fui soldado sem deixar de ser mulher.”

Cabo Toco também é patrona da 1º turma de Policiais Militares femininas do Estado do Rio Grande do Sul.

Para alguns a batalha foi honra e poder, para outros apenas uma promessa, e uma canção.      



 Pesquisa de: Sandra Ferreira

1º chinoca do CTG Sentinelas do Pago.






 

56 anos do Município de Alvorada

Minha Alvorada cidade e sorriso És  um paraíso pra quem mora aqui Só quem não conhece a minha terra amada Tem a língua afiada pra fala...