quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Contos Gauchescos – Penar dos Velhos


Por: João Simões Lopes Neto

 

- Conheci, sim, sr., o Binga Cruz, desde assinzinho...

Guri levado da casqueira!...

E teve um fim que nunca se soube... Pobrezinho... Andaria nos doze anos. Filho único.

O pai dele, o velho, recebeu de regalo um bagual picaço sãozito das quatro patas, sem uma basteira; e de rédea, um pensamento. E era mesmo para o andar dele.

Pois, amigo, se lhe conto!...

Um dia, dezembro, sol de rachar, com trovoada armada, andara o guri ninhando numas restingas que havia sobre o fundo da roça, por detrás das casas. O chapéu estava já abarrotado de ovos de tico-tico, de alma-de-gato, de corruíras, canarinhos, sabiás...; era um entrevero bonito de cores e feitios diferentes.

De calcita arregaçada, mui espinhado nas canelas e nos braços, o rosto vermelho e a cabeça ardendo, o diabinho ainda gateava um ninho de tesouras, quando, do outro lado da cerca, ouviu o assobio das avestruzes, pastando.

Ouviu, e fura daqui, fura dali, varou a cerca para dar fé, bem à sua vontade.

Entre a roça e um braço de banhado, que havia, formava-se uma rinconada mui boa para volteada: e foi nisso que o guri pensou. As avestruzes seriam umas oito e uma tropilha de filhotes, já emplumaditos.

Não se conteve, o miúdo: pulou para o lado de fora, perto da bandada, e já correu sobre ela, de braços abertos, aos pulos, aos gritos: os bichos se arrolharam, assustados, mas logo o macho do bando ponteou para o rincão e tudo acompanhou.

 

Era o que o guri esperava mesmo; ele queria, de por força, pegar uma, viva; mas só laçando...

Foi quando lhe coriscou na idéia bancar-se no bagual picaço, do velho...

Se estava tão delgado e lindo.., aquilo seria só amagar o corpo, chupar no beiço e rebolear o laço... Nem era tento! Num - vá! - era avestruz a cabresto!

E correndo para o galpão, enfrenou o pingo, atirou-lhe um pelego no lombo, passou a mão no seu lacito e se foi a arriba!

Espiou para os lados e mui de manso, a passo, saiu, sobre a cacimba, a encobrir-se numa reboleira de chorões, que fazia uma sombra fresca, onde as galinhas se rebolcavam, arrepiando as penas, assoleadas.

Mas tudo isto levou seu tempo, de maneira que quando ele chegou ao rincão já as avestruzes haviam-se atirado no banhado e bandeado; apenas, por descuidada ou mais esfomeada, apenas uma se deixou ficar e agora não atinava com a passagem, e quando o Binga, gineteando, deu em cima dela, então é que o bicho ficou mesmo atarantado, e começou a gambetear zonzo, na enrascada.

O guri se esqueceu do mundo!

Tocava o picaço em cima do nhandu e atirava o laço... o bicho negaceava, e o laçador errava o tiro... E vá outro, e outro... mas errando sempre, só de apurado!

Mas nisto o nhandu deu com a boca do rincão, viu o campo largo, e fazendo umas gambetas fortes, esparramando as asas, por fim aprumou o corpo e cravou a unha, num trotão galopeado, de comer quadras!...

Mas o rapazinho estava encanzinado: levantou o picaço no freio e bateu de trás!

Amigo! Que disparada! Por tacuruzais e buracama de tuco-tuco, por cima das panelas de caranguejo, por lançantes de coxilhas e moles das canhadas, salvando sangas e arrancando no barral das lagoas, tudo era várzea lisa para aquela alminha de gaúcho!

Despistada pela perseguição, a avestruz corria à toa. Corria. Depois foi mermando; e foi afrouxando, até que se enredou numas macegas e caiu numa cova de touro. E conforme caiu, já o guri estava-lhe em cima, atracado com ela, passando-lhe o laço, maneando-a, vencedor, afinal!

E respirou, aliviado; olhou o campo, silencioso, viu a casa lá longe, branqueando no verde do arvoredo.

Como diabo ia ele levar a caça, aquela?... E quando estava botando as suas contas, o nhandu deu em patear, a se revirar todo e mal apanhou livre uma perna, priscou e se foi a la cria, deixando o caçador no ora-veja!...

Aí o Binga fez um jeito de choro de raiva, e mui desconsolado montou de novamente.

E voltou para casa, a passo, porque o picaço vinha meio estaqueado, de quartos duros.

Com mil cuidados, aproveitando ainda a hora da sesta tornou a meter o flete no galpão e mui concho da sua vida foi para dentro, pedir à mãe - uma santa senhora, aquela dona! - pedir uma tigela de coalhada, pra refrescar.

Na manhã seguinte o picaço apareceu esticado na estrebaria: derreteu a graxa dos rins; morreu arreganhado.

O velho ficou buzina!... Quem foi, quem não foi...; afinal o próprio Binga, meio de orelha murcha mas decidido, relatou a criançada, tintim por tintim.

Aí o velho andou mal... ali no mais, à vista da peonada, quis sovar o filho... e quando o guri viu o rabo-de-tatu no ar... quebrou o corpo, disparou e de vereda encarapitou-se num matungo que estava de piquete, encilhado, e abriu campo fora, sem rumo certo, ao deus-dará... Debalde o velho gritou-lhe - Pára aí, menino! Pára aí, menino!

Qual! No peito do gauchinho não cabia a vergonha daquele guascaço do rabo-de-tatu, que caía-lhe em cima, se ele não foge...

A sia-dona não viu nada deste passo; andava lá pra dentro, nos seus arranjos.

Passou o tempo.

Nunca mais houve notícias do menino.

Campeou-se pelo vizindário, saíram chasques a vários rumos e... nada!

O velho foi descuidando das lavouras; já não ia ao rodeio nem montava a cavalo; nas marcações ficava na porteira da mangueira, calado; pitava muito e passava os dias passeando na quinta, na rua das laranjeiras, de chapéu nos olhos e de mãos atrás das costas.

A peonada já nem podia arranhar nas violas, porque o velho se enquizilava e mandava logo um piazito dizer lá fora que não queria bochinchadas em casa.

Outras vezes dava-lhe para arranjar alguma trança prendia a lonca e começava a tirar os tentos... e de repente parava, suspirava... e torcia a mão, cortando ou fazendo entradas no couro, e afinal picava tudo e não fazia nada, nem um botão, nem um passador qualquer, de cacaracá...

Ou ficava horas e horas, com os olhos perdidos naqueles descampados... olhando, olhando sempre, mas sem ver nada... nem as pontas de gado nem os mesmos andantes, que às vezes chegavam, pedindo pousada...

A velhita, essa, então, dava lástima a gente se fixar nela...

 

Não se riu, nunca mais, aquela senhora-dona. Chorar eu não vi: mas devia de chorar muito, porque quando vinha pra mesa servir os hospes, trazia sempre os olhos vermelhos e algo inchados.

Ajuntou num canto da sala todas as cousas do Binga; os aperos, o laço: umas tamanquinhas já gastas; um carretão de brinquedos, enfiadas de ovos, uma chuspa cheia de pelotas de barro, argolas e ossinhos de mocotós; enfim não sei quantas mais bobages de criança.., mas que tocavam no coração quando a gente pensava que o doninho andava por esse mundo, de gaudério e teatino... como cachorro chimarrão, comendo de esmola algum soquete ordinário e tinindo de frio, sem ao menos um bichará esburacado...

E sempre buenaça; mal chegava um andante, mandava logo um piá levar-lhe um mate, e ainda, à noite, água para os pés; e de manhã, quando a gente ia agradecer a pousada, lá vinha um naco de queijo ou meia vara de lingüiça, para fiambre, e outro amargo, pra o estribo...

Quem sabia do caso até nem falava nele... era tão penaroso o sofrer daqueles velhos, que não diziam nada, que a gente entendia tudo...

E não havia hospe que tivesse comido daquela mesa ou dormido naquele teto, que não desejasse ser ele que pudesse um dia topar o guri desguaritado e trazê-lo, para o colo que esperava sempre e que rezava sempre ao Nosso Senhor Jesus-Cristo, que, sendo Deus, morreu perto da sua mãe...

A velhita finou-se primeiro, e de pura pena foi por certo.

O vizindário em peso acudiu ao velório; o enterro se fez na vila.

Pois desde a estância até o cemitério - umas quantas léguas - o caixão veio sempre à mão. Mas não pesava nada. Também - pobrezinha! - que pecados podia ela ter?...

E quando foi a hora de o corpo cair na cova, que cada um atirou um punhado de terra, e que as crianças quase todas suas afilhadas - e as mulheres desataram num pranto de choro e até o coveiro se entreparou atristado, aí vi mais de um gaúcho colmilhudo manoteando nas lágrimas que dos olhos lhes caíam, grandes e claras, como as gotas d'água que caem do cartucho dos caetés...

Meses depois o velho seguiu o mesmo caminho de nós todos; mas antes de morrer, engambelado por um padre gringo que apareceu aqui pelos pagos, lá fez uns papéis... e papéis foram que tudo o que era dele passou para missas e outros engrólios que ninguém sabia o que eram. Nem um tambeiro saiu para um afilhado!...

Os parentes meteram demanda... foi um arranca-rabo que durou anos...

E enquanto isso... vancê sabe o que é casa sem dono!...

O Binga... quem sabe lá. o que foi feito dele, por esse mundo de Deus, tão grande!...

Cuê-pucha!... Eu desejava que ele aparecesse, só por causa do padre gringo!... Que sumanta o guri lhe não havia de encostar!...

E... por Deus e um patacão!... Eu dava as guascas e ainda ajudava a atar!...

Ora se não!...

 

PERSONAGENS PRINCIPAIS:  Binga Cruz e seus pais.



Pesquisa de:

Fabiana Thomaz 


 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

1º Reunião de Patrões de Alvorada 2021

 



Na noite, quarta-feira, dia 03/02/21, aconteceu a primeira reunião de Patrões de Ctgs da Subcoordenadoria de Alvorada, no Ctg Amanhecer na Querência. Rua Tramandaí 76, Alvorada. Contamos com a presença do atual Coordenador da 1º RT/RS, Sr. Edinho e representantes das chapas para a eleição do Mtg/RS/2021, da: Sra. Silvânia, o Sr. Jorge e do: Sr. Manoelito, o Sr. Haroldo.

Maravilhoso momento para tirar dúvidas e fazer planejamento para o ano em curso.






Sr. Jorge e Esposa - Chapa Silvania 


Sr. Haroldo - Chapa Manoelito



Tomando Laguna com lanchões ( Parte 1)

 



Giuseppe Garibaldi estava vivendo suas aventuras, lutando pela liberdade quando recebeu a missão de tomar Laguna em Santa Catarina , na época era comandante da Marinha Rio Grandense, e com Rio Grande em posse imperial , ele tinha o objetivo de estabelecer um porto!

 

A idéia:

Toda essa estrutura que ficou marcada na história do nosso estado, foi criada   pois eles tinham uma missão: tomar Laguna e então situado na Laguna dos Patos e vai ao Rio Capivara rumo à barra do Rio Tramandaí, porém 60 quilômetros o separava, a saída que encontraram foi a construção de duas carretas reforçadas bem grandes, puxada por mais ou menos uma centena de bois!


Seival e Farroupilha

Deram vida as ideias e depois do planejamento o italiano liderou a construção das embarcações, Seival nomeado assim fazendo referência a Batalha do Seival com vitória farrapa, em um dia antes do início da fabricação dos lanchões, e também o Farroupilha um lanchão um pouco menor.

 


Pesquisa de :

Antonia Valim – Prenda Mirim  Farroupilha

 

 

 




Vacinação contra Covid 19 – Trabalhadores área de Saúde privada de Alvorada.


A partir do dia 4 de fevereiro, quinta-feira, a vacina contra a COVID-19 estará disponível no antigo prédio do laboratório/pam-8, das 8h às 12h  e das 13h às 17h para os trabalhadores dos serviços de saúde da rede privada do município de alvorada. É necessário apresentar documento que comprove a vinculação ativa com o serviço de saúde (carteira de trabalho) ou declaração emitida pelo serviço de saúde, documento com foto e CPF.

 

Fonte: SMS Alvorada

https://www.facebook.com/saudealvorada

Siga e fique ligado no calendário de vacinação


 

MTG convoca Assembleia Extraordinária do Departamento de Narradores

 

O Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul realizará no dia 09 de fevereiro, em no CTG Pousada da Figueira, em Porto Alegre, a Assembleia Geral Extraordinária do Departamento de Narradores. A convocação é da presidente Gilda Galeazzi e do vice-presidente campeiro Adriano Pacheco.

A Assembleia iniciará às 8h30min e terá como pauta a atualização do valor da anuidade, a realização de prova para novos narradores e o poder de nota do vice-presidente campeiro na avaliação para ingresso de novos narradores.

Outro ponto a ser debatido é a alteração no Inciso IX do Artigo 49 do Regimento Interno do Departamento de Narradores, que prevê exclusividade de atuação de seus membros para eventos de entidades filiadas ao MTG. Segundo o diretor do Departamento de Narradores, Ricardo Favin, esse artigo do regimento interno fere a constituição federal. “Acreditamos que com as alterações que serão propostas será melhor para promotores de eventos e narradores, que terão maior liberdade, porém sem abrir mão de alguns comprometimentos”, afirma.

Se a alteração do artigo for aprovada, narradores filiados ao MTG ficarão liberados para trabalhar em eventos de entidades não filiadas à entidade.  A Assembleia será realizada no CTG para que possam ser observadas as medidas de distanciamento.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/MTGRIOGRANDEDOSUL/photos/a.238967459624909/1625295974325377/

 

1º Encontro Cultural de Alvorada 2021

 


A Subcoordenadoria  e Departamento Cultural de Alvorada convida Ctgs e departamentos Culturais para 1º Encontro Cultural de 2021.

Nesse mesmo dia acontecerá a entrega dos Destaques das entidades Tradicionalistas de Alvorada.

O evento acontece no dia 08 de Março as 20hs no Ctg Sentinelas do Pago , localizado na rua Porto Alegre , 216 – Maria Regina / Alvorada

Pedimos aos que irão participar que leve 1kg de Alimento , toda arrecadação será destinada a um casal de amigos que passa por problemas de saúde.


Lembrando que será aplicado plano de Contingencia conforme lei Vigente.




Integrante do CTG Cel Thomaz Luiz Osório doa sua mesada para ajuda sua entidade.


Após ser atingido por temporal que comprometeu parte do telhado, o CTG Cel Thomaz Luiz Osório, de Pelotas (26ªRT), iniciou mutirão solicitando apoio para manutenção de sua sede. Com isso, um dos integrantes da entidade, o Thiago Mota, doou toda a sua mesada para ajudar na reconstrução.

 

O Thiaguinho, como é conhecido pelos amigos, é portador de síndrome de down, e participa do CTG desde pequeno, quando acompanhava os irmãos na invernada adulta. Seu amor pelo Thomaz é tão expressivo que recebeu, em 2019, o cargo de Posteiro do Amor Thomaziano.

 

De acordo com a patroa Ana Boanova,“ele nasceu com o dom de encher nosso coração de amor. Sua doação é diária a quem chega no galpão do Thomaz, e este gesto só demonstra a paixão que tem pela entidade. Peço a todos que se juntem a nós nessa corrente de apoio e reconstrução para que logo possamos receber com um mate cevado e com o sorriso do Thiaguinho”

 

Ações como a do Thiago representam, mais do que tudo, o amor pelas tradições, e ainda, o sentimento de pertencimento à um grupo, representado pelos valores de empatia e solidariedade, que seguem nítidos em ações tradicionalistas.

 

Fonte:

https://www.mtg.org.br/noticias/integrante-do-ctg-cel-thomaz-luiz-osorio-doa-mesada-para-ajudar-a-entidade/


 

56 anos do Município de Alvorada

Minha Alvorada cidade e sorriso És  um paraíso pra quem mora aqui Só quem não conhece a minha terra amada Tem a língua afiada pra fala...